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Kazuo Wakabayashi

OBRAS DO ARTISTA

 

Kazuo Wakabayashi 103258

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIOGRAFIA

 

KKazuo Wakabayashi (Kobe, Japão 1931)

Pintor

 

Foi aluno de Konosuke Tamura, entre os anos de 1947 a 1950. Prepara-se para ingressar na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Tóquio, porém abandona a arquitetura em 1950, voltando-se para a pintura. No ano seguinte, integra o grupo Babel, ao lado de Rokuichi, Kaibara, Ko Nishimura e outros. Em 1953, torna-se membro do grupo Seiki e publica álbum de pinturas e poesias e, em 1954, participa do Delta, além de ilustrar os jornais Shinko Shimbum e All Sports. Entre as décadas de 1940 e 1960, participa de salões japoneses recebendo prêmios em 1947, 1950, 1954 e 1959. Imigrante em 1961 para o Brasil, fixou residência em São Paulo, naturalizando-se brasileiro no ano de 1968.

Wakabayashi desenvolve uma obra abstrata de orientação informal, cuja principal característica é a pesquisa de técnicas, cores e materiais. Trabalha com contornos rigorosos e cores intensas, às vezes, experimentando multiplicar as formas enquanto caracteriza cada uma com alguma diferença em relação às demais, como em Contraponto, 1970, e Sem Título, 1966. Em diferentes obras, cria ritmos com relevos e texturas em superfícies monocromáticas, como em Vermelho, 1964, e Abstração, ca.1960. Em outras, ainda, estabelece relações entre formas e texturas diversas, como em Abstração Azul, 1968, e Abstração Amarela, s.d.

Ainda em 1961 torna-se membro do Grupo Seibi, apresentado por Manabu Mabe e Tomie Ohtake. Suas primeiras exposições ocorreram ainda no Japão, entre 1957 e 1961, sendo que a primeira mostra individual no Brasil ocorreu em 1963, no Rio de Janeiro, na Galeria Tenreiro, com apresentação de Manabu Mabe.

Em 1963 recebe medalha de ouro tanto no 12º Salão Paulista de Arte Moderna como no 7º Salão do Grupo Seibi de Artistas Plásticos. É agraciado com o primeiro prêmio no Salão de Abril do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, em 1966. Participa de diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, entre 1963 e 1967, quando é premiado.

Depois dessa abertura, seguiram-se outras várias mostras individuais, em São Paulo, Salvador,Santos, Brasília, Washington, Kobe, Tóquio e Nova Iorque. Já no Brasil, trouxe um traço forte de sua arte com personalidade não-figurativista, em que formas, de contornos bem definidos, recebem a vitalização de efeitos de textura, obtidos através de uma acentuada pesquisa de cor. No Brasil, realizou exposições em cidades de vários Estados, inclusive no Mato Grosso do Sul.

A partir do fim dos anos 1970, Wakabayashi se interessa mais pelo aspecto da textura e do relevo na pintura, muitas vezes optando por trabalhá-los de maneira quase uniforme em toda a superfície da tela, como em Composição em Amarelo, 1971 – na qual a atenção do espectador é conduzida por duas linhas amarelas que limitam verticalmente uma seção do quadro à direita -, ou restringindo textura e relevo dentro de uma superfície circular, como em Composição em Branco, 1983. Nessa obra, o artista parece raspar a tinta, criando uma linha que corta horizontalmente o círculo e revela um fundo avermelhado; logo abaixo dessa linha, uma seção do mesmo círculo não recebe a textura do restante da forma. Em Composição Abstrata, 1970, algo semelhante se dá, desta vez, no entanto, uma esfera é cortada verticalmente, revelando seu interior vermelho.

Wakabayashi desenvolve, num período posterior, trabalhos que remetem à tradição da gravura japonesa ukiyo-e, que trata principalmente de temas da natureza e figuras humanas, como também utiliza estampas de tecidos japoneses colados sobre as telas. Nessas obras, feitas de colagem e pintura, convivem as estampas apropriadas e a pintura que cria texturas, estas podendo se sobrepor ou justapor às primeiras, como em Insinuação em Negro, 1988, Sem Título, 1987, e Composição em Relevo, 1983. Alguns trabalhos ganham títulos que passam a remeter ao tema tratado – é o caso de Onda, 1987, e Mensagem do Mar, 1987.

Em 1992, publica-se o livro Wakabayashi, com apresentação do crítico Jayme Mauricio, e, no ano seguinte, o Paço das Artes, em São Paulo, apresenta uma retrospectiva de sua obra.

O artista chama seus quadros de matéria espiritualizada, sendo definido por alguns críticos como “metafísico dos valores espaciais”. Isso ocorre porque sua produção busca transcendência e ultrapassa o mero jogo de texturas, formas e cores – indo adiante do que antes corresponderia a uma necessidade íntima de sua personalidade, materializando uma visão interior rica e pessoal.